Mbappé decide, França sofre mais do que o esperado e elimina o Paraguai para marcar duelo com Marrocos nas quartas

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COPA 2026

Junior Ranieri

7/5/20264 min read

Há vitórias que impressionam pelo espetáculo. E há vitórias que revelam personalidade. A classificação da França para as quartas de final pertence ao segundo grupo.

Em uma tarde de calor extremo na Filadélfia, com temperaturas próximas dos 39°C, a seleção francesa encontrou enormes dificuldades diante de um Paraguai extremamente disciplinado defensivamente, mas contou com o talento e a frieza de Kylian Mbappé, que converteu um pênalti aos 70 minutos para garantir a vitória por 1 a 0 e a vaga entre os oito melhores da Copa do Mundo.

Agora, a França terá pela frente um adversário conhecido: Marrocos, repetindo o confronto da semifinal da Copa de 2022, mas desta vez valendo uma vaga entre os quatro melhores do Mundial de 2026.

⚽ Um jogo exatamente como o Paraguai queria

Desde os primeiros minutos ficou evidente qual seria o plano da equipe paraguaia.

O técnico armou a seleção em um 5-4-1 extremamente compacto, fechando os corredores centrais e obrigando a França a circular a bola sem encontrar profundidade.

Durante todo o primeiro tempo, os franceses dominaram a posse, mas produziram muito pouco. Mbappé recebia sempre cercado. Dembélé encontrava pouco espaço. Olise tinha dificuldade para acelerar as jogadas.

O Paraguai, por sua vez, aceitava defender durante longos períodos e apostava em transições rápidas com Julio Enciso e Miguel Almirón.

O resultado foi um primeiro tempo de enorme disputa física e pouquíssimas oportunidades claras de gol.

A França teve posse. O Paraguai teve controle emocional.

Esse talvez tenha sido o aspecto mais interessante da partida. Embora a França controlasse a bola, era o Paraguai quem controlava o ritmo psicológico do confronto. Cada falta. Cada paralisação. Cada disputa física. Tudo contribuía para tirar velocidade do jogo.

Os franceses demonstravam certa ansiedade. Forçavam cruzamentos. Arriscavam chutes de média distância. Mas encontravam um bloqueio defensivo muito bem organizado.

Foi um daqueles jogos em que a superioridade técnica não se traduz automaticamente em chances criadas.

O lance que decidiu tudo

A insistência francesa finalmente foi recompensada aos 70 minutos. O jovem Désiré Doué, que havia acabado de entrar, atacou o espaço dentro da área e foi derrubado por Diego Gómez.

Após revisão do VAR, o árbitro confirmou o pênalti. Na cobrança, Kylian Mbappé mostrou a tranquilidade de quem está acostumado aos maiores palcos do futebol mundial.

Cobrança firme. Goleiro deslocado. França em vantagem. Foi o sétimo gol de Mbappé nesta Copa, mantendo o atacante entre os principais artilheiros do torneio e igualando a marca histórica de Lionel Messi em gols em Copas do Mundo.

O Paraguai quase castigou a França

Quem imaginava que o gol encerraria a partida se enganou. Nos minutos finais, o Paraguai abandonou a postura conservadora e passou a atacar com muito mais agressividade. Foi justamente nesse momento que apareceu outro protagonista.

🧤 Mike Maignan

Durante praticamente toda a partida, o goleiro francês teve pouco trabalho. Mas, quando finalmente foi exigido, respondeu como um goleiro de seleção campeã.

A defesa realizada aos 90 minutos evitou o empate e deu tranquilidade para que a França administrasse os acréscimos. Em mata-mata, goleiros também decidem. E Maignan fez sua parte.

⭐ O craque da partida

Kylian Mbappé

Nem sempre um grande atacante precisa produzir um espetáculo. Às vezes basta decidir.

Mbappé participou da movimentação ofensiva durante toda a partida, atraiu marcações, abriu espaços para os companheiros e, quando surgiu a oportunidade decisiva, mostrou personalidade para converter o pênalti sob enorme pressão.

Além do gol, sua postura após a partida chamou atenção. O atacante destacou que a França sabia que encontraria um duelo físico e afirmou que sua equipe também sabe "jogar feio" quando a situação exige. Essa maturidade competitiva pode ser tão importante quanto seu talento individual.

O que funcionou na França?

Apesar da atuação abaixo do esperado ofensivamente, alguns aspectos merecem destaque.

A linha defensiva formada por Saliba e Upamecano praticamente anulou os contra-ataques paraguaios durante boa parte do jogo.

O meio-campo, mesmo sem Aurélien Tchouaméni, lesionado antes da partida, manteve controle territorial com Manu Koné e Adrien Rabiot.

O problema esteve na criação. Faltou velocidade entre as linhas. Faltou atacar mais os espaços. E a entrada de Doué acabou sendo determinante justamente porque trouxe essa agressividade.

O Paraguai sai maior do que entrou

É verdade. O Paraguai está eliminado. Mas sua campanha merece reconhecimento. Depois de surpreender a Alemanha na fase anterior, voltou a competir em altíssimo nível contra uma das favoritas ao título. Sua organização defensiva foi exemplar. A entrega física impressionou. E por muito pouco a estratégia não levou o confronto à prorrogação.

Se mantiver essa base para o próximo ciclo, a seleção paraguaia tem boas condições de continuar incomodando as grandes potências.

O próximo desafio: Marrocos

Agora a França terá um confronto completamente diferente. O Marrocos chega embalado após eliminar Holanda e Canadá, demonstrando enorme maturidade tática e eficiência nas transições.

Ao contrário do Paraguai, que esperava atrás da linha da bola, os marroquinos alternam momentos de bloco baixo com ataques rápidos e muita intensidade pelos lados do campo.

Será um teste de paciência para os franceses — e talvez o duelo mais equilibrado das quartas de final.

📊 Notas Strix

Seleção Nota

🇫🇷 França - 8,3

🇵🇾 Paraguai - 7,8

⭐ Craque Strix

Kylian Mbappé — Decidiu novamente quando a França mais precisava, mantendo sua influência direta na campanha francesa.

🎯 Veredito do Time Strix

Nem toda atuação convincente precisa ser brilhante.

A França mostrou uma característica comum às seleções campeãs: soube vencer um jogo que se recusava a ser vencido.

Durante boa parte da partida, os franceses encontraram um adversário disposto a transformar o confronto em uma batalha física e emocional. Não perderam a organização, insistiram no plano de jogo e aproveitaram o momento decisivo.

Ao mesmo tempo, o desempenho serve de alerta.

Contra o Marrocos, uma equipe mais eficiente nas transições e mais confortável com a bola do que o Paraguai, será necessário produzir muito mais ofensivamente.

A classificação mantém a França entre as grandes favoritas ao título.

Mas também deixa uma mensagem clara para o restante da Copa: os franceses continuam vivos, porém já não parecem invencíveis.