Colômbia vence sem fazer barulho, elimina Gana e mostra que talvez seja a seleção mais subestimada desta Copa

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COPA 2026

Junior Ranieri

7/4/20264 min read

Nem toda grande atuação termina em goleada. Nem toda classificação histórica precisa de drama. Enquanto o restante do mata-mata foi marcado por prorrogações, viradas improváveis e decisões por pênaltis, a Colômbia escolheu outro caminho. Jogou. Controlou. Venceu. E foi embora.

O placar de 1 a 0 pode parecer apertado. O jogo, porém, esteve muito mais próximo do domínio colombiano do que o resultado final sugere.

Durante praticamente noventa minutos, a seleção de Néstor Lorenzo deu poucas oportunidades para Gana acreditar que poderia mudar a história da partida.

Foi uma atuação madura. De equipe que sabe exatamente quem é.

O problema começou cedo para a Colômbia... e terminou virando solução

Logo nos primeiros minutos, Jhon Córdoba sentiu uma lesão e precisou deixar o gramado. Em qualquer seleção, perder o centroavante tão cedo poderia significar uma mudança completa no plano de jogo.

Na Colômbia, aconteceu o contrário. Luis Suárez entrou. E, poucos minutos depois, mostrou por que o elenco colombiano tem sido um dos mais equilibrados do torneio. Aos 14 minutos, recebeu aberto pela esquerda, levantou a cabeça e encontrou Jhon Arias infiltrando nas costas da defesa ganesa. O cruzamento saiu na medida. Arias apareceu entre os zagueiros e finalizou com categoria. Era o único gol da partida. Mas, olhando para o que aconteceu depois, foi suficiente.

A Colômbia controlou o jogo sem precisar da bola o tempo inteiro

Existe uma diferença importante entre ter posse de bola e controlar uma partida. A Colômbia fez a segunda. Mesmo quando Gana tentava acelerar o ritmo, encontrava sempre a mesma barreira.

Davinson Sánchez e Jhon Lucumí dominaram o jogo aéreo. Daniel Muñoz e Johan Mojica fecharam os corredores. Jefferson Lerma e Gustavo Puerta reduziram os espaços no meio-campo. O resultado foi uma equipe africana incapaz de criar oportunidades claras.

Gana circulava a bola. Mas quase nunca conseguia entrar na área colombiana. Camilo Vargas passou boa parte da noite como espectador. Essa talvez seja a maior qualidade desta Colômbia. Ela defende sem parecer pressionada.

Luis Díaz ainda busca sua grande noite

Se existe um ponto de atenção para Néstor Lorenzo, ele atende pelo nome de Luis Díaz. O atacante participou bem da movimentação ofensiva. Criou desequilíbrios. Chegou a balançar as redes. Mas o gol acabou anulado por impedimento. Pouco depois, desperdiçou outra boa oportunidade cara a cara com o goleiro.

Não foi uma atuação ruim. Mas também não foi o desempenho dominante que muitos esperam do principal jogador colombiano. Ainda assim, sua capacidade de atrair marcação continua abrindo espaços importantes para Arias, James Rodríguez e os homens de segunda linha.

Gana se despede com mais perguntas do que respostas

A seleção ganesa chegou ao mata-mata apoiada em organização defensiva e intensidade física. Contra a Colômbia, nenhuma dessas características apareceu com força.

Thomas Partey encontrou enorme dificuldade para acelerar o jogo. Jordan Ayew ficou isolado. Antoine Semenyo quase não recebeu bolas em condições de atacar a última linha. Carlos Queiroz tentou mudar o panorama com substituições ofensivas, mas encontrou uma equipe colombiana extremamente disciplinada.

Ao final, reconheceu que a Colômbia foi superior e controlou praticamente todos os aspectos da partida. Foi uma eliminação sem polêmicas. Sem arbitragem discutível. Sem azar. Apenas um adversário melhor.

O que essa vitória revela sobre a Colômbia?

Que talvez estejamos diante da seleção mais subestimada desta Copa. Não possui o brilho midiático de Brasil, Argentina ou Espanha. Não tem um elenco repleto de superestrelas. Mas apresenta algo extremamente valioso: equilíbrio.

A Colômbia sabe quando acelerar. Sabe quando baixar as linhas. Sabe sofrer. E, principalmente, raramente perde sua organização. É uma equipe que dificilmente oferece presentes ao adversário.

Agora vem a Suíça

Se existe um confronto capaz de agradar aos apaixonados por estratégia, ele será Colômbia contra Suíça. De um lado, a organização quase cirúrgica dos suíços. Do outro, a disciplina tática e a intensidade colombiana. Provavelmente não será um jogo de muitos gols. Será um duelo decidido por detalhes. Por concentração. Por eficiência.

A Colômbia chega com ligeiro favoritismo pelo repertório ofensivo um pouco mais variado. Mas encontrará uma das defesas mais consistentes desta Copa.

A Copa também pertence aos times discretos

Enquanto outras seleções sobrevivem no limite, a Colômbia avança transmitindo serenidade. Talvez essa seja sua maior força. Não desperta manchetes explosivas. Não gera crises. Não precisa de heróis improváveis. Simplesmente continua vencendo.

A história das Copas ensina uma lição que nunca envelhece: os campeões nem sempre são aqueles que fazem mais barulho. Muitas vezes, são aqueles que chegam às fases decisivas ainda com energia, confiança e identidade. Hoje, poucas seleções reúnem essas três características como a Colômbia.

A Suíça será um teste muito mais duro. Mas, se repetir o nível apresentado em Kansas City, a equipe de Néstor Lorenzo tem argumentos suficientes para continuar escrevendo uma campanha que já deixou de ser surpresa e passou a ser uma candidatura real às fases mais profundas do Mundial.